Já vou começar dizendo que Black Hammer é o melhor quadrinho que eu li esse ano. Declaração forte, eu sei, mas é verdade. Esse é um daqueles HQs especiais que você vai se pegar voltando a ler e ficando impressionado a cada leitura.

A trama envolve 6 ex-super heróis que, após enfrentarem um inimigo cósmico chamado Anti-Deus (parecidíssimo com uma versão colossal do Thanos) e salvarem Spiral City, acabam presos no que parece ser uma fazenda perto de uma cidade do interior dos Estados Unidos por dez anos.

Logo depois que chegam, eles descobrem que não conseguem sair de lá sem serem desintegrados por um campo de força direcionado apenas a eles, como é provado pelo herói Black Hammer, que morre ao tentar sair. Em homenagem a ele, os 5 dão o nome dele à fazenda.

Presos no que parece ser um purgatório bucólico, cada um dos 5 tem seus desdobramentos. Abraham Slam, o “coração” do time, parece estar contente com a nova vida. A Menina de Ouro, que é uma espécie de Shazam (DC) ao contrário, parece viver um inferno, uma vez que está presa em sua versão de 9 anos. Talky-Walky, a robô parceira do Coronel Weird, está irritada e obcecada com descobrir uma forma de sair de lá, construindo sondas e mais sondas para descobrir mais sobre o mundo em que estão.

Barbalien, o guerreiro de Marte, se sente ainda mais solitário que antes, mas parece ter encontrado um conforto na cidade. Madame Libélula mantém-se reclusa em sua cabana dos horrores, que foi transportada junto com ela para perto da fazenda. Coronel Weird parece estar mais enlouquecido do que nunca, indo e vindo da dimensão paralela conhecida como Parazona sem parar, vendo o passado e, aparentemente, o futuro também.

Uma coisa muito interessante de se notar é que cada arco humaniza bastante os personagens, revelando coisas sobre seus passados e explicando muitas atitudes pelas quais, à primeira vista, o leitor os julgaria como pessoas ruins. É justamente essa exploração dos personagens que torna o HQ tão genial, especialmente o arco de Gail, a Garota de Ouro.

Reprodução/Intrinseca
Uma das coisas mais legais de Black Hammer é que as capas dos volumes são no estilo da Era de Ouro dos quadrinhos de heróis

O mistério cercando a fazenda e, eventualmente, o que alguns personagens sabem a mais que os outros prende bastante, especialmente porque é difícil imaginar o que seja. Enquanto eu lia, eu gerava várias hipóteses diferentes sobre o que algumas coisas eram e, eventualmente, fui refutado (múltiplas vezes) pelo desenrolar da trama.

Jeff Lemire captura muito bem a essência dos quadrinhos da Era de Ouro e a transforma com muito cuidado e carinho na sua própria história com apanhados de crítica social e uma desenvoltura bastante realista para a mente de cada super herói dentro da trama, lembrando e quiçá até rivalizando com Watchmen, dependendo de onde o roteiro levar o HQ.

A arte de Black Hammer é quase como parte da narrativa em si no que diz respeito a “filtros de lembrança”. Em quase todos os flashbacks é possível ver aquela estética meio anos 1940 e 1950 com toques de arte déco típica da Era de Ouro, enquanto nos dias “atuais”, os personagens parecem ter aspectos abatidos e cansados, com olhos pequenos e cercados de olheiras, rugas de expressão e posturas um pouquinho curvadas, além de bocas pequenas e por vezes pouco expressivas. Isso, aliado das diferentes paletas de cores para os cenários torna do HQ altamente atmosférico, de forma quase cinematográfica na hora de definir um “tom”.

Reprodução/Dark Horse
A vibe de flashback é bem mais visual do que qualquer coisa, como podemos ver pela capa do fascículo 9.

As referências a super heróis conhecidos nas histórias dos personagens do quadrinho são claras e mostram não só uma certa sensação de nostalgia, mas como também um entendimento profundo. Um exemplo disso é o próprio personagem de Black Hammer, que funciona como uma espécie de fusão entre o Lanterna Verde da DC e do Thor da Marvel.

Black Hammer ganhou o prêmio Eisner 2017 de Melhor Série Nova e tem dois volumes, cada um coletando 6 fascículos. O HQ é originalmente publicado pela editora Dark Horse e, no Brasil, é distribuído pela editora Intrínseca.

Eu comprei o primeiro volume em português por aqui, mas você pode comprá-lo em inglês por aqui. Já o segundo volume não foi publicado em português ainda, mas eu comprei por aqui.

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