The Injection é um quadrinho que eu não sei dizer se me prendeu ou se me perdeu. Por mais que eu ache difícil lidar com o contraste entre a arte cartunesca e o enredo soturno e violento, a ideia de misturar antigas lendas da Grã-Bretanha (como spriggans pixies, por exemplo) com um cenário mais moderno em que as pessoas tentam racionalizar quase tudo cientificamente de certa forma.

The Injection tem muitos jargões governamentais, o que dá um fortíssimo ar de realismo à coisa toda. A Inglaterra ter ministérios secretos que tratam de assuntos sobrenaturais é algo que me remete bastante àquele ar de “Liga Extraordinária” misturado com “007”.

Mas, dito isso, o enredo é surpreendentemente simples. Cinco pessoas extraordinárias em suas respectivas áreas, foram reunidas para pensar em formas de mudar o futuro, uma vez que pelas projeções (aqueles cálculos que os personagens geralmente dizem que fizeram, mas ninguém explica ou pergunta a lógica deles), a sociedade iria parar de evoluir em algum ponto, ficando presa a uma constante.

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O HQ tem uma vibe bem Arquivo X também. Coisas bem bizarras acontecem e os protagonistas têm que “resolver”

Com isso, os cinco tomam a decisão de “envenenar” o mundo com uma inteligência artificial misturada com uma entidade sobrenatural. O problema é que isso acaba saindo um pouco de controle e essa entidade, que eles chamam de A Injeção (daí o nome do HQ), começa a causar problemas fora do comum, como ocorrências “sobrenaturais” e bizarras.

Um elemento que eu achei incrível é o fato da Injeção não ser só um elemento narrativo, mas ser uma parte muito importante da narrativa em um nível metalinguístico (eu estou deixando isso vago de propósito porque eu estragaria o grande plot twist do primeiro volume).

No entanto, eu não sei dizer bem o motivo pelo qual o quadrinho não me pegou de vez. Ele tem todos os motivos para que eu ficasse absolutamente vislumbrado com o enredo, mas eu simplesmente não consegui. A narrativa, enquanto legal e misteriosa, faz com que você se sinta perdido demais para dar a mínima para o que está acontecendo. Ela é não linear e bastante elusiva.

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Aqui a gente vê como que o sci-fi e a fantasia se encontram. Mesmo com essa premissa, a narrativa deixa a desejar

Em outras palavras, Warren Ellis (que também escreveu Trees) acaba caindo no exagero do mistério ao não explicar sua premissa. A escrita dele também tenta tomar uma rota similar à de Trees ao dar narrativas e personalidades bem diferentes para cada personagem. O problema é que, diferente do outro HQ, aqui isso não funcionou e cada personagem continua restrito a umas três ou quatro características básicas.

A narrativa em si é meio truncada e inconsistente na maior parte do tempo. Passa a sensação de muitas coisas deixadas em aberto ao mesmo tempo e você não sabe o que acompanhar e acaba confuso e sem entender.

No fim das contas, The Injection é um daqueles HQs difíceis de determinar se é bom ou se é só “meh”. Eu li 2 dos 3 volumes e já sei que não vou continuar lendo, o que é uma pena. No entanto, talvez isso não seja definitivo, já que o HQ vai ganhar uma adaptação para a TV. Quem sabe não dá uma melhorada?

The Injection é distribuída pela Image Comics. Eu comprei o volume 1 aqui e o volume 2 aqui.

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